Pular para o conteúdo
Blog

Como fazer fisioterapia para paralisia de bell

Fazer fisioterapia para paralisia de Bell envolve muito mais do que exercícios genéricos — exige um protocolo personalizado que considere a fase clínica atual da paralisia e a biomecânica do seu rosto como um todo. A Paralisia de Bell, que afeta o nervo facial e causa fraqueza ou imobilidade de um lado da face, deixa o lado saudável trabalhando em excesso para compensar, gerando assimetria progressiva que pode persistir mesmo após a recuperação motora.

O tratamento efetivo combina reabilitação neuromuscular com atenção simultânea aos padrões de compensação — aqueles movimentos involuntários que o rosto aprende a fazer para "burlar" a paralisia. Isso significa trabalhar tanto a função quanto a estética no mesmo protocolo, integrando técnicas de fisioterapia facial especializada com recursos como toxina botulínica quando indicada, sempre com objetivo funcional e de restauração visual equilibrada.

Cada caso de paralisia facial tem características únicas dependendo da origem, do tempo de evolução e dos padrões de compensação já estabelecidos. Por isso, um diagnóstico clínico preciso e um plano de tratamento individualizado são essenciais para evitar sequelas como sincinesias e garantir que o resultado seja tanto funcional quanto harmonioso no espelho.

O Que É a Paralisia de Bell e Por Que a Fisioterapia É Essencial na Recuperação

A Paralisia de Bell é a forma mais comum de paralisia facial periférica, responsável por aproximadamente 60% a 75% de todos os casos de acometimento unilateral do nervo facial. Ela ocorre quando o nervo facial (VII par craniano) sofre uma inflamação aguda, geralmente associada à reativação do vírus Herpes Simplex tipo 1, interrompendo parcial ou totalmente os sinais motores que controlam a musculatura de um lado do rosto. O resultado é uma assimetria facial súbita, que se instala em horas e pode ser profundamente impactante tanto do ponto de vista funcional quanto emocional.

Embora muitos casos evoluam para recuperação espontânea, estudos indicam que entre 15% e 30% dos pacientes desenvolvem sequelas permanentes sem tratamento adequado — incluindo fraqueza muscular residual, assimetria persistente e o surgimento de sincinesias, movimentos involuntários indesejados decorrentes de uma regeneração nervosa desordenada. A fisioterapia especializada é o principal recurso para reduzir esses riscos e garantir uma recuperação funcional e estética completa.

Como a Paralisia de Bell Afeta os Músculos Faciais e o Nervo Facial

O nervo facial percorre um canal ósseo estreito dentro do crânio — o canal de Falópio — antes de emergir pelo forame estilomastoideo e se ramificar pelos músculos do rosto. Quando inflamado, ele se comprime dentro do próprio canal, gerando isquemia (redução do fluxo sanguíneo) e desmielinização das fibras nervosas. A consequência direta é a perda do comando motor sobre os músculos mímicos do lado afetado.

Os músculos comprometidos incluem o frontal (responsável por elevar a sobrancelha), o orbicular do olho (que fecha a pálpebra), o zigomático maior e menor (que elevam o canto da boca no sorriso), o bucinador (que comprime a bochecha), o orbicular da boca (que fecha os lábios) e o platisma (músculo cervical que traciona o canto da boca para baixo). Com a instalação da paralisia, toda essa musculatura perde tônus, torna-se flácida e deixa de responder ao comando voluntário.

O que raramente é abordado no atendimento inicial é o efeito sobre o lado saudável: sem a resistência do lado comprometido, os músculos contralaterais passam a trabalhar com força desproporcional, desenvolvendo hiperatividade compensatória. Essa dinâmica, se não tratada, aprofunda a assimetria ao longo do tempo — mesmo quando o lado paralisado começa a se recuperar. Por isso, um protocolo eficaz de reabilitação precisa contemplar os dois lados do rosto simultaneamente.

Benefícios Comprovados da Fisioterapia na Paralisia de Bell (Evidências Científicas)

A literatura científica é consistente ao apontar a fisioterapia como intervenção de primeira linha no manejo da Paralisia de Bell, especialmente quando iniciada precocemente e conduzida por profissional especializado. Uma revisão sistemática publicada no Cochrane Database of Systematic Reviews concluiu que exercícios faciais supervisionados melhoram significativamente os desfechos funcionais em comparação com a ausência de tratamento ou com orientações genéricas não supervisionadas.

Os benefícios documentados incluem:

  • Aceleração da recuperação motora: pacientes que iniciam reabilitação precocemente apresentam restauração funcional mais rápida do que os que dependem apenas da recuperação espontânea;
  • Redução da incidência de sincinesias: a reeducação neuromuscular orientada diminui o risco de reinervação aberrante, principal mecanismo por trás das sincinesias pós-paralisia;
  • Melhora da simetria facial em repouso e em movimento: tanto a posição estática do rosto quanto os movimentos expressivos tornam-se mais equilibrados com o tratamento;
  • Prevenção de contraturas musculares: a intervenção precoce evita o encurtamento adaptativo dos músculos que iniciam a recuperação de forma desorganizada;
  • Impacto positivo na qualidade de vida: estudos que utilizaram instrumentos como o Facial Disability Index (FDI) demonstram melhora expressiva nos domínios físico e social após protocolos de reabilitação estruturados.

Vale destacar que a fisioterapia não substitui o tratamento medicamentoso — o uso de corticosteroides como a prednisona, quando indicado pelo médico, integra o manejo clínico de forma fundamental. Para entender como esse medicamento é utilizado, veja o artigo sobre como tomar prednisona para paralisia de bell. A combinação entre tratamento farmacológico e reabilitação fisioterapêutica representa o padrão ouro de cuidado.

Quando Iniciar a Fisioterapia para Paralisia de Bell

O momento de início da reabilitação é um dos fatores que mais influencia o prognóstico da Paralisia de Bell. Existe uma janela terapêutica crítica nas primeiras semanas após o aparecimento dos sintomas, durante a qual as intervenções têm maior potencial de orientar a regeneração nervosa de forma organizada e prevenir sequelas. No entanto, a abordagem varia substancialmente conforme a fase clínica em que o paciente se encontra.

Fase Aguda (0 a 21 dias): Cuidados Iniciais e Abordagem Precoce

Nos primeiros 21 dias após o início da paralisia, o nervo facial ainda está no processo inflamatório agudo. Nessa fase, a conduta fisioterapêutica deve ser conservadora e protetora — o objetivo não é forçar movimentos, mas preparar o tecido muscular e nervoso para a recuperação que virá.

As intervenções prioritárias nesse período incluem:

  • Massagem facial suave de drenagem: estimula a circulação local e reduz o edema perineural sem sobrecarregar o nervo inflamado;
  • Mobilização passiva leve dos músculos acometidos: preserva a plasticidade muscular e evita atrofia precoce por desuso;
  • Laserterapia de baixa intensidade: atua diretamente no processo de regeneração nervosa e apresenta efeito anti-inflamatório documentado sobre o nervo facial;
  • Orientação para proteção ocular: etapa fundamental nessa fase, pois o olho sem fechamento completo está vulnerável a lesões de córnea;
  • Inibição do lado saudável: técnicas de relaxamento e biofeedback para reduzir a hiperatividade compensatória contralateral desde o início do tratamento.

Exercícios ativos intensos, eletroestimulação de alta intensidade e qualquer técnica que provoque fadiga muscular excessiva são contraindicados nessa fase. O nervo em regeneração é sensível à sobrecarga, e estímulos inadequados podem desorganizar a reinervação muscular.

Fase Subaguda e Crônica: Progressão dos Exercícios e Metas de Reabilitação

A partir do 21º dia, quando os primeiros sinais de reinervação costumam aparecer — movimentos mínimos, formigamento, sensação de "vida" nos músculos —, a fisioterapia entra em uma etapa mais ativa. As metas tornam-se mais específicas: recuperar amplitude de movimento, aprimorar a qualidade do gesto (não apenas sua presença), trabalhar a simetria em repouso e em expressão, e prevenir ou tratar sincinesias incipientes.

Na fase subaguda (21 dias a 3 meses), os exercícios ativos assistidos e resistidos são introduzidos progressivamente, o biofeedback eletromiográfico assume papel central na reeducação neuromuscular e a cinesioterapia facial ganha complexidade crescente. Na fase crônica (acima de 3 meses), o foco se desloca para o refinamento do controle motor, o manejo das sequelas já estabelecidas e, quando indicado, a integração de recursos como a toxina botulínica para modular compensações musculares persistentes.

Vale ressaltar que a fisioterapia para paralisia facial ainda funciona anos depois do diagnóstico — pacientes com sequelas antigas também se beneficiam de protocolos especializados, desde que a abordagem seja adaptada à realidade clínica atual do músculo e do nervo.

Avaliação Fisioterapêutica: Como o Profissional Mede o Grau da Paralisia

Antes de qualquer intervenção, uma avaliação fisioterapêutica estruturada é indispensável. Não existe protocolo eficaz sem diagnóstico funcional preciso: o profissional precisa identificar exatamente quais músculos estão paralisados, em que grau, quais já apresentam sinais de recuperação, quais estão em hiperatividade compensatória no lado saudável e se há sincinesias em desenvolvimento. Essa leitura clínica detalhada é o que diferencia um tratamento personalizado de uma abordagem genérica.

Escalas de Graduação Utilizadas (House-Brackmann e Sunnybrook)

Duas escalas são amplamente utilizadas na prática clínica e na literatura científica para graduar o comprometimento facial:

Escala de House-Brackmann (HB): é a mais conhecida e divide a paralisia em seis graus, do Grau I (função normal) ao Grau VI (paralisia total). Cada grau descreve o nível de função em repouso e em movimento. Apesar de sua ampla adoção, a escala HB apresenta limitações: é pouco sensível para detectar mudanças sutis dentro de um mesmo grau e não avalia sincinesias de forma específica.

Sistema de Graduação de Sunnybrook (SB): considerado mais preciso para o acompanhamento da reabilitação, avalia três domínios separadamente — simetria em repouso, simetria nos movimentos voluntários e presença de sincinesias — gerando uma pontuação composta que permite identificar progressos menores e orientar ajustes no protocolo com maior precisão. Por isso, muitos fisioterapeutas especializados em paralisia facial preferem o Sunnybrook como ferramenta de monitoramento longitudinal.

Para entender como essa avaliação é conduzida na prática clínica especializada, o artigo sobre como funciona a avaliação para paralisia facial em Porto Alegre detalha o processo de forma acessível.

Mapeamento Muscular Facial e Definição do Plano de Tratamento

Além das escalas padronizadas, a avaliação especializada inclui um mapeamento muscular individualizado. O fisioterapeuta observa e palpa cada músculo mímico, analisando tônus em repouso, amplitude de movimento ativo, qualidade do gesto (se é fluido ou espástico), presença de contraturas e padrões compensatórios. Fotografias e vídeos padronizados são registrados para comparação ao longo do tratamento.

Esse mapeamento orienta diretamente a construção do plano terapêutico: quais músculos precisam de estimulação ativa, quais requerem inibição, qual lado demanda mais atenção em cada fase e quais técnicas são mais indicadas para o perfil clínico específico daquele paciente. É a diferença entre tratar "a Paralisia de Bell" de forma genérica e tratar aquele rosto específico, naquele momento específico da recuperação.

Principais Técnicas de Fisioterapia para Paralisia de Bell

O arsenal terapêutico disponível para o tratamento da Paralisia de Bell é amplo, e cada técnica tem indicações, mecanismos de ação e momentos ideais de aplicação bem definidos. Um protocolo eficaz combina esses recursos de forma integrada, adaptando escolhas e intensidade à fase clínica do paciente.

Cinesioterapia Facial: Exercícios Ativos, Assistidos e Resistidos

A cinesioterapia facial é o núcleo do tratamento fisioterapêutico da Paralisia de Bell. Compreende o conjunto de exercícios terapêuticos aplicados especificamente à musculatura mímica, com progressão sistematizada conforme a recuperação do nervo facial.

Os exercícios passivos são realizados pelo terapeuta sem participação ativa do músculo — indicados na fase aguda para preservar a plasticidade tecidual. Os exercícios assistidos combinam a tentativa de movimento ativo do paciente com o suporte manual do terapeuta — indicados quando os primeiros sinais de reinervação surgem. Os exercícios ativos livres são executados pelo próprio paciente sem assistência, à medida que a força muscular aumenta. Os exercícios resistidos adicionam uma carga oposta ao movimento, aprofundando o trabalho de fortalecimento na fase mais avançada da recuperação.

A qualidade do movimento importa mais do que a quantidade. Gestos rápidos, exagerados ou realizados com compensação do lado saudável são contraproducentes — ensinam padrões motores incorretos ao sistema nervoso e elevam o risco de sincinesias. O objetivo é o movimento lento, isolado, simétrico e consciente.

Massagem Facial Terapêutica: Técnica, Direção e Frequência

A massagem facial terapêutica na paralisia facial vai muito além de uma manobra de relaxamento. Quando aplicada com técnica adequada, ela atua em múltiplos mecanismos: melhora a circulação sanguínea e linfática local, reduz o edema perineural, estimula os mecanorreceptores musculares (contribuindo para a reeducação proprioceptiva), previne aderências entre os planos fasciais e mantém a elasticidade da pele e do tecido subcutâneo sobre os músculos comprometidos.

A direção das manobras é determinante: no lado paralisado, as técnicas de deslizamento superficial seguem o sentido das fibras musculares e da drenagem linfática; no lado saudável, manobras de inibição e relaxamento são aplicadas para reduzir a hiperatividade compensatória. A pressão deve ser calibrada conforme a fase — mais leve no período agudo, progressivamente mais profunda nas fases subaguda e crônica. A frequência ideal é de 3 a 5 sessões semanais nas etapas iniciais, podendo ser reduzida conforme a evolução clínica.

Eletroestimulação Neuromuscular (TENS e FES) na Paralisia Facial

O uso de eletroestimulação na paralisia facial exige cuidado técnico, pois a indicação e a contraindicação dependem diretamente da fase clínica e do tipo de fibra nervosa comprometida. A TENS (Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea) atua principalmente no controle da dor e no estímulo sensorial, sendo útil especialmente nos casos com dor retroauricular associada. A FES (Estimulação Elétrica Funcional) provoca contrações musculares ativas e é empregada para manter o tônus e estimular a reinervação.

A principal controvérsia envolve o uso de eletroestimulação de alta intensidade na fase aguda: correntes que provocam contrações vigorosas antes que o nervo esteja em condições de guiar essa resposta podem desorganizar a reinervação e aumentar o risco de sincinesias. Por isso, a FES é mais indicada nas fases subaguda e crônica, com parâmetros cuidadosamente ajustados pelo fisioterapeuta. Na fase aguda, correntes de baixa intensidade com efeito analgésico e trófico são preferíveis.

Laserterapia de Baixa Intensidade: Como Acelera a Regeneração do Nervo Facial

A laserterapia de baixa intensidade (LBI), também denominada fotobiomodulação, é uma das técnicas com evidência científica mais consistente para o tratamento da paralisia facial periférica. Seu mecanismo de ação envolve a absorção da energia luminosa pelas mitocôndrias celulares, estimulando a produção de ATP, reduzindo o estresse oxidativo e modulando a resposta inflamatória local.

No contexto da Paralisia de Bell, a LBI é aplicada diretamente sobre o trajeto do nervo facial — desde a região retroauricular até as ramificações distais — com o objetivo de acelerar a remielinização das fibras nervosas e atenuar a inflamação perineural. Estudos clínicos mostram que pacientes tratados com laserterapia associada à cinesioterapia evoluem mais rapidamente e com menor incidência de sequelas do que os tratados apenas com exercícios. A técnica é segura, indolor e pode ser iniciada desde a fase aguda, o que a torna especialmente valiosa nas primeiras semanas após o diagnóstico.

Biofeedback Eletromiográfico: Reeducação Neuromuscular com Feedback Visual

O biofeedback eletromiográfico (EMG-BFB) é considerado uma das ferramentas mais sofisticadas e eficazes na reabilitação da paralisia facial. Eletrodos de superfície são posicionados sobre os músculos faciais e captam os sinais elétricos gerados pela atividade muscular, convertendo-os em informação visual — gráficos, barras ou curvas em tempo real — que o paciente acompanha enquanto realiza os exercícios.

Esse retorno visual em tempo real tem impacto profundo no aprendizado motor: o paciente consegue perceber atividades musculares imperceptíveis a olho nu, identificar quando está recrutando músculos compensatórios indesejados e aprender a isolar movimentos específicos com muito mais precisão do que seria possível apenas diante do espelho. Para o tratamento das sincinesias — onde o desafio é justamente inibir contrações involuntárias — o biofeedback é especialmente valioso, pois permite que o paciente "veja" a sincinesia acontecendo e aprenda a modulá-la voluntariamente.

Termoterapia e Crioterapia: Quando e Como Aplicar no Rosto

O calor superficial (termoterapia) e o frio (crioterapia) são recursos adjuvantes que, quando bem indicados, potencializam os efeitos das técnicas principais. A termoterapia — aplicada com bolsas de calor úmido ou infravermelho — promove vasodilatação local, melhora a extensibilidade do tecido conjuntivo e prepara a musculatura para os exercícios subsequentes. É mais indicada no início das sessões, especialmente nas fases subaguda e crônica, sobre o lado paralisado para aumentar o metabolismo tecidual local.

A crioterapia tem indicação mais específica na paralisia facial: pode ser utilizada no lado saudável para inibir temporariamente a hiperatividade muscular compensatória antes dos exercícios de simetria, além de exercer efeito analgésico útil nos casos com dor associada. Nunca deve ser aplicada sobre o olho sem fechamento completo, e o tempo de contato precisa ser controlado rigorosamente para evitar queimaduras pelo frio em pele com sensibilidade reduzida.

Exercícios para Paralisia de Bell: Passo a Passo para Fazer em Casa

Os exercícios domiciliares são um componente essencial do protocolo de reabilitação — mas só produzem resultados quando realizados com técnica correta, na frequência adequada e com supervisão periódica do fisioterapeuta para corrigir compensações. As orientações a seguir têm caráter geral; o programa individualizado deve ser prescrito pelo profissional responsável pelo tratamento, considerando a fase clínica e o grau de comprometimento de cada paciente.

Exercícios para a Testa e Sobrancelha (Músculo Frontal e Corrugador)

O músculo frontal é responsável por elevar as sobrancelhas e criar as rugas horizontais da testa. Na paralisia, o lado afetado fica liso e a sobrancelha cai. O corrugador aproxima as sobrancelhas em direção à linha média, formando as rugas verticais entre elas.

  1. Elevação de sobrancelha unilateral assistida: posicione os dedos indicador e médio logo acima da sobrancelha do lado paralisado. Tente elevar a sobrancelha enquanto os dedos oferecem suporte leve — sem forçar o movimento, apenas guiando-o. Mantenha por 3 segundos e relaxe. Repita 10 vezes.
  2. Franzir as sobrancelhas: olhe para o espelho e tente aproximar as duas sobrancelhas em direção ao centro, como se estivesse concentrado ou contrariado. O foco é na simetria — se o lado saudável se mover muito mais que o paralisado, use o dedo para inibir levemente esse excesso. Mantenha 3 segundos, repita 10 vezes.
  3. Elevação bilateral com espelho: tente elevar as duas sobrancelhas simultaneamente, observando o equilíbrio entre os lados. Se perceber assimetria marcante, concentre-se no movimento do lado paralisado sem permitir que o lado saudável exagere.

Exercícios para Fechar os Olhos (Músculo Orbicular do Olho)

O orbicular do olho é um dos músculos mais críticos na Paralisia de Bell, pois seu comprometimento expõe a córnea a lesões graves. Recuperar o fechamento ocular é uma das prioridades terapêuticas.

  1. Fechamento suave assistido: com o dedo indicador posicionado na pálpebra superior do lado paralisado, feche os olhos suavemente. O dedo auxilia o fechamento sem pressionar o globo ocular. Mantenha fechado por 3 segundos, abra devagar. Repita 15 vezes.
  2. Piscada lenta e consciente: olhe para o espelho e realize piscadas lentas e deliberadas, buscando que as duas pálpebras se movam de forma sincronizada. Se o lado paralisado não fechar completamente, não force — trabalhe dentro da amplitude disponível.
  3. Fechamento forçado (fase mais avançada): quando o fechamento já estiver presente, tente fechar os olhos com mais intensidade, como se estivesse espremendo-os. Esse exercício desenvolve a força do orbicular, importante para proteger o olho em situações cotidianas como exposição ao vento ou à luz intensa.

Exercícios para o Nariz (Músculo Nasal e Levantador do Lábio Superior)

A musculatura nasal é frequentemente negligenciada nos programas domiciliares, mas sua recuperação impacta diretamente a simetria central do rosto e a função respiratória nasal.

  1. Dilatação das narinas: inspire profundamente pelo nariz, tentando dilatar as narinas do lado paralisado. Observe no espelho se as duas narinas se abrem de forma proporcional. Repita 10 vezes.
  2. Enrugamento do nariz: tente "enrugar" o nariz como se estivesse cheirando algo desagradável, contraindo o músculo nasal. Use o espelho para verificar a simetria. Repita 10 vezes.
  3. Elevação do lábio superior: tente elevar levemente o lábio superior do lado paralisado, como no início de um sorriso assimétrico. Esse movimento trabalha o levantador do lábio superior, também afetado na paralisia. Use o dedo para guiar o gesto se necessário.

Exercícios para a Boca e Lábios (Orbicular da Boca, Zigomático e Bucinador)

A região perioral concentra grande parte da expressividade facial e é onde a assimetria da Paralisia de Bell se torna mais perceptível socialmente.

  1. Bico (protrusão labial): junte os lábios em forma de bico, projetando-os para frente. Observe se os dois lados participam igualmente. Mantenha 3 segundos, relaxe. Repita 10 vezes.
  2. Estiramento lateral dos lábios: puxe os cantos da boca lateralmente, como em um sorriso forçado e horizontal. Concentre-se na simetria — o lado paralisado tende a ficar para trás. Use o dedo para guiar o canto comprometido se necessário. Repita 10 vezes.
  3. Inflar as bochechas: encha as bochechas de ar e tente mantê-lo por 5 segundos sem deixar vazar pelos lábios. Esse exercício trabalha o orbicular da boca e o bucinador simultaneamente. Repita 10 vezes.
  4. Articulação de fonemas: pronuncie lentamente os fonemas "P", "B", "M" e "F" diante do espelho, observando a simetria dos lábios em cada movimento. Esses sons exigem fechamento e pressão labial, trabalhando diretamente o orbicular da boca.

Exercícios para as Bochechas e Sorriso Simétrico

O sorriso é o movimento facial mais carregado de significado social e emocional, e sua assimetria costuma ser o maior impacto na qualidade de vida de quem convive com a Paralisia de Bell.

  1. Sorriso lento e controlado: olhe para o espelho e sorria devagar, acompanhando o movimento de cada canto da boca. O objetivo não é um sorriso exagerado — é um gesto suave e equilibrado. Se o lado saudável se mover em excesso, posicione levemente o dedo no canto da boca desse lado para inibir o excesso enquanto o lado paralisado tenta acompanhar.
  2. Elevação das bochechas: sorria levantando as bochechas em direção aos olhos, como em um sorriso genuíno (sorriso de Duchenne). Esse movimento recruta o zigomático maior e o levantador do ângulo da boca, músculos fundamentais para a expressão positiva.
  3. Mastigação simulada: realize movimentos de mastigação exagerados e lentos, alternando os lados, para mobilizar o bucinador e preservar a flexibilidade das bochechas.

Como Usar o Espelho Corretamente Durante os Exercícios em Casa

O espelho é a principal ferramenta de biofeedback disponível em casa — mas seu uso inadequado pode ser contraproducente. O erro mais frequente é o paciente focar exclusivamente no lado paralisado, tentando forçar movimentos que ainda não são possíveis. Isso gera frustração, reforça compensações no lado saudável e instala padrões motores incorretos.

O uso correto envolve observar o rosto inteiro, com atenção especial ao equilíbrio entre os dois lados. O espelho deve estar na altura dos olhos, com boa iluminação frontal. Durante os exercícios, a pergunta que deve guiar a observação não é "o lado paralisado se moveu?" mas sim "os dois lados se moveram de forma proporcional?". Quando o lado saudável se mover em excesso, isso é tão relevante quanto a ausência de movimento no lado comprometido — e deve ser corrigido com inibição manual ou redução da intensidade do exercício.

Frequência, Séries e Repetições Recomendadas por Fase de Recuperação

A dosagem dos exercícios

Agendar avaliação

Dra. Fransuelly Moro

Escrito por

Dra. Fransuelly Moro

Fisioterapeuta especializada em paralisia facial em Porto Alegre, com protocolo personalizado por fase clínica que une reabilitação funcional e resultado estético. Conheça a trajetória da Dra. Fransuelly →